quarta-feira, 18 de agosto de 2010

''Catolicidades''.

Observava o mundo como se nunca tivesse estado ali. O frio era estúpido e seu nariz guardava resíduos de poeira condensados no muco, graças à baixa temperatura, formando uma dolorosa placa junto aos pêlos nasais. Pêlos. Possuía-os em variados formatos e cores ao longo do corpo, e sempre que possível raspavá-os, como se neste ato mantivesse a distância entre si e os símios ancestrais.
Não sabia exatamente o que tinha feito com que entrasse na igreja, mais ou menos como os cães. Lá havia uns poucos fiéis, em sua maioria senhoras aposentadas, que criavam e levavam uma vida social em torno das máscaras dogmáticas da fé católica. Gostavam de comentar sobre as refeições servidas pelos paroquianos, pecados imperdoáveis e de deixar suspensa no ar a dúvida sobre o ''caráter católico'' de uma ou outra senhora que eventualmente fez ou fará o mesmo.
Só queria encontrar um local onde pudesse sentar-se longe do frio, com boa iluminação, odor agradável e principalmente, um local onde não precisasse falar com ninguém. Encontrou ali o local perfeito para instalar-se.
Antes de adrentrar o templo sagrado, tentou fazer uma genoflexão¹ e um sinal da cruz, o qual depois verificou ter feito errado. Não o fez por fé, mas por respeito aos que a vissem da entrada. Sentou-se na fileira da direita e observou o comportamento dos fiéis, tão obedientes. Não entendia como as pessoas conseguiam gostar de ser chamadas de ovelhas do Senhor. Decerto que deveria ser agradável sentir-se incluído em um grupo, parte de um rebanho, mas parecia um pouco constrangedor à ela a idéia de algém gostar de ser chamado assim. Deixando estas considerações sobre a vergonha alheia de lado, ajoelhou-se no estrado de madeira, pois não queria causar furor em relação a sua presença ali.
Quando criança, pensava que os estrados eram descansos para os pés, e que as igrejas eram todas bizarras e medonhas. Aquela não. Era uma paróquia pós-moderna, possuía um painel com a Santa Ceia desenhada nos traços de algum artista que não detalhava rostos. O tom do fundo era alaranjado e feliz, contrastando com a seriedade dos bancos cor de carvalho. Jesus sofredor na cruz, como sempre, ali. Imaginava que as pessoas costumavam pensar em um Jesus dilacerado, um salvador benevolente que assim o fez para limpar seus pecados. A imagem é quase digna de pena, uma vez que os esforços dele hoje em dia lhe pareciam em vão. O púlpito tinha um design muito pouco convencional, coberto com uma seda verde esmeralda. As grandes velas, também verdes, em castiçais dourados , complementavam a visão, com o padre de batina branca no centro de tudo. Parecia novo. Era tão delicado que se não fosse padre, provavelmente seria uma transexual. Ao pensar isso, sentiu um pequeno prazer escondido na ''blasfêmia'' e relembrou, na hora do ''este é o meu sangue e esta é a minha carne'' (ou seria o contrário?) que nunca sequer tinha tido vontade de ter aulas em catequeses. Desde cêdo, a fé de indulgências não a atraía.
Ajoelhada ali, nada sentiu. Apreciou o seu não-sentir e quedou parada. Sentou-se e deu tímidos e educados acenos aos fiéis, ao som de '' cumprimentai vossos irmãos na paz do senhor'' ou algo assim e, ao término da cerimônia ( ela já havia chegado quase no final) foi olhar mais de perto o altar.
Perto dos castiçais, sentindo o cheiro doce das velas verdes, perguntáva-se se os padres também não seriam homens que desejam os olhos de um público. Obrigando-se a manter o celibato num esforço quase mítico de semi-deuses, transferindo seu conhecimento secreto das leis divinas e conforto aos pobres diabos desesperados que como carrinhos de bate-bate, iam parar em suas igrejas; que de suas mãos puras e santificadas jorrasse a fonte inesgotável de bênçãos que eles mesmos acreditavam, e que assim, sendo fiéis e sagrados, seriam maiores que os homens, ganhando não só a ''Paz do Senhor'', como também o respeito e a admiração das hipócritas senhoras aposentadas da paróquia. Seria melhor que assumissem a condição humana e corressem mundo em circos. Mais divertido, inspirador e bonito.
Lembrava-se que em todas as igrejas católicas era regra a existência de um velário na parte interna do prédio. O cheiro e o calor das velas seriam um conforto, o qual ela se permitiria. Saindo de uma porta atrás do altar, o padre, não mais usando a bata branca, e sim uma combinação pequeno-burguesa com uma marca estrangeira gritando no peito. Indagou a ele se havia ali em algum lugar o velário. A resposta, surpreendente, veio em dois sabores:

- Minha filha, você tem duas opções: Tem lá fora o velário convencional e aqui do lado o eletrônico, se você preferir. - E saiu com um sorriso, perguntando a uma menininha de cabelos crespos se ela já havia rezado (o tal do velário eletrônico consistia em lâmpadas em formato de vela, que a pessoa orava e apertava um pequeno botão para ligar).
Ora! Muito conveniente! Hoje em dia as pessoas acendem falsas velas para agradar falsos Deuses e manter sua falsa fé em um perdão inexistente, uma vez que a noção de pecado é uma forma deveras estranha de limitar-se, controlar a sociedade e fugir do que os seres são propostos. Os humanos, pelo menos. Pensou: os cachorros que são espertos e não criam cultos. No reino animal, cada um sabe exatamente o que é e assim é feliz. Por exemplo, nunca vira uma galinha colocando seus ovos em um púlpito (no formato de uma frigideira gigante) no topo de uma montanha, bradando seu amor ao Senhor, com uma marreta na mão.
Imaginou que num futuro próximo, o padre seria um robô santificado pelo Vaticano e o Papa um cérebro conservado de algum idoso com o corpo morto.
Decidiu voltar ao frio, em direção ao velário ''analógico''. Surpreendeu-se ao encontrar somente uma vela, enquanto no interior, quase todas as lâmpadas estavam acesas. Era uma vela grossa, daquelas de sete dias, apagada. Arrepiou-se pois estava ventando, provavelmente a razão pela qual a vela não estava acesa. Pensa que se o desejo da pessoa que a havia deixado ali fosse realmente sincero, a vela haveria de ficar acesa. Sentiu-se então na obrigação de prolongar um pouco a esperança e com a ajuda de um isqueiro preto e longo, trouxe o fogo ao pavio. Quer fosse para um morto, quer para um vivo que gostasse de promessas, ali estava, acesa e bonita.
Enquanto sentia o calor do clamor dos desesperados emergindo da chama presa ao pavio, sentiu uma vontade enorme de tomá-la para si. Afinal, ela estava abandonada lá, apagada e largada à própria sorte. Pensou que tinha velas em casa e que seria ridículo, apesar de divertido, roubar as velas da igreja. Afinal, o que era divertido que não era ridículo, de certa forma? Tudo dependia de quem olhava. Glorificando ou justificando, não sabe-se ainda, disse para si que seria um ato deliberado de rebeldia, de luta contra a massificação baseada na fé, mas ainda assim, um furto desnecessário.
Quando decidiu não levar a vela, uma rajada gélida decidiu que a chama não tremeluzeria mais e a apagou. Sentiu-se cansada daquilo tudo e acendeu, não a vela, mas um cigarro. Encaminhou-se para casa, com o nariz ainda dolorido e gelado de quem vê a fumaça da respiração no ar.


¹ Genoflexão: Flexão dos joelhos, hábito comum entre católicos ao entrar ou passar por uma igreja.





Descobrindo que ainda não dá pra postar do Ipod. ir o app desse troço? i

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Argh,

Hoje acordei com dor. De cabeça, na nuca e no resto todo que parece fazer parte de mim.

Não consigo pensar direit, desenhar, escrever, e não ri o dia inteiro. Nao tenho vontade. Olhei pra minha cara no espelho e tive vontade de vomitar.

me vomitaria inteira no espelho.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

42 [2]

To tentando criar uma teoria de ordenação da propriedade caótica das partículas baseada em fractais, e isso não tá parecendo fácil, tampouco to com entusiasmo mágico pra isso. Conversando com um amigo sobre a idéia:

R. the bigger within the smaller. diz:
então
aquela coisa de uma particula ser 'derivada'' da outra, uma cópia ou semelhante a particula inicial, me leva a crer que toda aquela coisa do caos tem sim uma ordem. mesmo que baseada na entropia.
o detalhe é que isso seria uma contradição
pq parece que a evolução final de toda ordem é a desordem
sendo assim, bastaria saber se é ordenado ou não. agora, como a desordem se dá, ainda não pensei
rodrigo s, diz:
você precisa de um amigo físico e um amigo filósofo
pq eu não tô dando conta não.



Alguém se habilita?

42 [1]

A quem interessar possa, eu começo a divagar sobre as perguntas fundamentais dos Seres Humanos.
Não lembro nem quando comecei a pensar nisso, provavelmente na mesma época que todos começamos: quando criança.
Se todo mundo possui uma pré-historia, eu trabalhei muito mais o cérebro do que o corpo na minha, diga-se de passagem. Mas não, não levo a infância como pré, já era e ainda é parte dominante e livre do cérebro que possuo, ou que sou. Sim, pois somos cérebros.
Afinal, de que adianta um corpo muito bem desenvolvido, com peças de tecido detalhadamente feitas por assalariados, ditadas por uma fase passageira dos ''formadores de opinião'', sem o cérebro? Aliás, quem seriam os tais ''formadores'' sem o cérebro e seus impulsos elétricos?
Diz-se da pessoa criativa, aquela que possui mente mais ''fértil'' do que a maioria. Levando em consideração que tudo o que vemos, sentimos, tocamos e ouvimos são ilusões elétricas (incluindo a matéria do corpo em que nos encontramos), e que em nossa maior parte, possuímos todos os sentidos, temos uma capacidade criativa maior do que imaginamos (que, aliás, é tudo que pode ser tomado como experiência física) no milimétrico espaço cúbico reservado dentro de nossos cérebros.
Sim, liberte-se, você é tão criativo quanto Dali! Um pouco mais fechado, talvez, mas possui as mesmas características básicas.


sexta-feira, 7 de maio de 2010

Opa!

Sei que vou continuar os pensamentos sobre as coisas que eu to lendo, mas só pra deixar anotado aqui uma coisa interessante:

Tava num site pra gente grande e a trilha sonora de um dos vídeos me intrigou. Fui procurar no São Google o que era e não encontrei. MAS, PORÉM, CONTUDO,TODAVIA,ENTRETANTO, eu encontrei uma cantora contemporânea de Jazz que me interessou bastante. Musicalmente falando, ok? Ela é uma gracinha, mas não.

O nome da querida é Lisa Ekdahl.Segundo o site CCB de Portugal:
"Com apenas 23 anos*, Lisa Ehdahl, compositora e letrista das suas próprias canções, lançou o álbum de estreia que a catapultou para a fama no seu país natal, atingindo a quádrupla platina ao fim de alguns meses. Em 1998, o álbum Back to Earth, o segundo gravado em inglês e, agora com o trio de Peter Nordahl, consagrou-a como uma das mais fascinantes vozes femininas contemporâneas. Bom exemplo disso é o facto da coreógrafa alemã Pina Bausch ter escolhido algumas das suas canções, ao lado de Nina Simone, Caetano Veloso ou Prince, para integrar o alinhamento dos espectáculos que vimos recentemente em Lisboa. Sendo frequentemente comparada a cantoras como Norah Jones, Diana Krall, Stacey Kent ou Jane Monheit, Lisa Ekdahl possui um tom profundamente carregado de emoção e conquistou já por três vezes os prestigiados Grammy Awards."

*O artigo é de 2008.

Aqui o link pro vídeo que me chamou atenção - o que não é de gente grande: http://www.youtube.com/watch?v=oFADZlqZY90

Perguntas:Quem são Stacey Kent e Jane Monheit? Peter Nordahl? Pina Bausch? Nina Simone?

São Google responde:

Stacey Kent: Segundo wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Stacey_Kent
A voz dela tá me dando vontade de chorar, é lindinha. E entendi o pq de compararem a Lisa com ela. Escuta só o jeitinho.
Canal da Stacey no Youtube, com direito a Águas de Março em francês: http://www.youtube.com/user/StaceyKentmusic


Jane Monheit: Segundo wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Jane_Monheit
Voz forte, gostosa de ouvir, sim. Só não espero a hora que ela começar a gritar. Tipo Ana Carolina. Adoro a voz, começou a gritar, vira uma cacatua ensandecida. Mas até agora to adorando. Lembra um pouco, bem de leve, Norah Jones. Mas parece ser mais clássica, mesmo. Ainda acho Norah um xodó!
Canal da moçoila no Youtube: http://www.youtube.com/user/janemonheit

Peter Nordahl: Na verdade, não encontrei nada isoladamente sobre o nome. Encontrei sobre o Trio. E basicamente, é o trio que toca com a Lisa Ekdahl. Tudo quanto é sueco termina com DAHL?


Pina Bausch: Coreógrafa Alemã. Achei alguns trabalhos interessantes dela, vale dar uma olhada. Gostei muito. Emocionante. Morreu em junho do ano passado, com 68 anos. RIP.
Segundo wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Pina_Bausch
Canal de um fã incondicional, contando 96 vídeos: http://www.youtube.com/user/rphilippart


E finalmente, Nina Simone: Segundo wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Nina_simone. É SÉRIO, SE VOCE DEIXAR DE OUVIR TÁ PERDENDO MUITO. Se você nunca ouviu, experimenta. Pra ela eu coloco a página de pesquisa do youtube, pra voce poder escolher qualquer um dos vídeos dela. Morreu em 2003. RIP.

http://www.youtube.com/results?search_query=Nina+simone&aq=f


Pois é, agora voce [e eu] sabemos quem são essas pessoas. E tivemos chance de dar uma olhada em generos musicais revisitados, na área da dança e interpretação. Tudo isso sem sair de casa. Cartão de crédito pra quê?

Iniciação à História da Arte. - H.W.JANSON E ANTHONY F. JANSON

Comentários sobre cada pensamento interessante que eu encontrar.

"IMAGINAÇÃO"
Somente os homens têm a capacidade de articular entre si o conteúdo de sua imaginação, diferentemente dos animais, através de relatos orais ou imagens. Apesar de que nada me convence que os animais não se comunicam entre si. Cães, por exemplo, eu acho que eles usam frequencias mentais. Não sei se são racionais, mas acho que a intuição deles deve ter formas pré-prontas de comunicação e modelos mentais passados de pai para filho. Divagando, só.

O teste da mancha de tinta. Adoraria fazê-lo. Será que tem disponível online?

IMPORTANTE:

" imaginação [...] pode ser vista como o elo de ligação entre o consciente e subconsciente,onde se dá a maior parte de nossa atividade cerebral. É, por assim dizer, a COLA que mantém UNIDOS a PERSONALIDADE, o INTELECTO e a ESPIRITUALIDADE do homem. Por ser suscetível de reagir aos três, a imaginação atua segundo formas sistemáticas, embora variáveis, que são determinadas pela psique e pela mente."

Dúvida: mas psique e mente não são a mesma coisa? Acho que a expressão foi mal colocada, o importante é que dá pra entender. No caso, penso eu, os autores quiseram diferenciar os niveis de pensamento entre intuitivo/inconsciente/subconsciente (psique) e o racional, no caso, a mente.

Tá aqui um esqueminha rápido que fiz no paint, mesmo.



Sendo assim, temos: Criação de modelos mentais, conceitos, pré-conceitos (após a "ruminação"), concepções, gua suas escolhas (combinações de variáveis intelectuais (na mente) para formação de pensamentos específicos. Ver o lado bom ou ruim de algo é determinado pelo resultado dessa equação- que eu ainda não sei conscientemente qual é), possibilita ou não suas experiências, consequentemente seu aprendizado e bagagem mental, tudo matematicamente falando.
Deve-se levar em conta toda a situação, os instintos, as possibilidades de erro e acerto- que são imaginadas de acordo com as experiencias anteriores, o resultado esperado também vai passar por esse processo imaginativo antes que a gente decida tomar o caminho até ele, que por sua vez também possui um processo matemático isolado que depois pode juntar-se com os belos parentesis da intersecção imaginativa. Tudo isso passa pela nossa cabeça antes de dar um único passo. E vai repassando, sendo recalculada de acordo com a rota traçada mentalmente.

Tá, agora eu vou a farmácia e ao mercado, quero voltar rápido. Antes preciso comer, estou com fome. Mas quero descansar, minhas costas doem. Eu estou menstruada, por isso que doem. Então eu preciso ir a farmácia pq eu me sinto desconfortável graças a isso.

Viu? As ligações mentais todas passam pela nossa imaginação. E uma coisa é importante. Todos os seres humanos possuem imaginação, senão nós não teríamos nem como aprender a nos comunicar da forma que fazemos, muito menos eu estaria aqui no blog.
E voce, meu único leitor, não teria lido esse monte de baboseiras aparentemente interessantes.

BACK TO COLD PIZZA.

EU VOLTAREEEI. MWAHAHAHAHAHHA.

Sério, depois eu volto pra continuar. parece que tá me ajudando a estudar. <3>

Maio.

Não mudou muita coisa. Na verdade, as coisas continuam indo ladeira abaixo, e eu decidi subir no pedaço de madeira e surfar antes de cair de dente.

MUDANDO DE ASSUNTO.

To tentando fazer mais exercícios, vamos ver onde isso vai dar. Ontem nadei 40 minutos, caminhei meia hora, corri mais 15 minutos e fiz 200 abdominais. Ê!

Ganhei tudo de volta enchendo a cara de pizza e cerveja duas horas depois. ATORON.

Café da manhã hoje foi pizza fria, cafe com leite e pão na chapa. É sério, acho que não vou emagrecer desse jeito. Meu, o problema nem é emagrecer, é definir. Eu nem to o fim do mundo de gorda, mas to mole demais pra quem só tem 20 anos. Daqui a pouco vou nadar com o meu futuro O.B.

ANTES

Preciso comentar algumas coisas do livro que to começando a ler pra ver se eu aprendo algo. PRÓXIMO POST.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Falling.

Meu. Eu tô mal.
Sério. Tô mal mesmo.
Mal, mas mal de mal
De verdade, mal.
Mau humor e mau olhado,
Mal comido e não gostado,
Mal.


Deu pra ver que eu não tô bem, né?
As coisas começam a cair do nada, sem motivos aparentes. E quando você vai pensando em cada uma isoladamente, tudo faz sentido. Só que a vida não é coisa isolada.

Justo no dia que eu decido parar de fumar, brigo com minha namorada, após ter faltado dois dias a faculdade e mandado minha mãe catar coquinhos, calar a boca e dizer que whatever, se ela quisesse ir embora e sumir da minha vida, no mesmo dia que eu vou me despedir de uma das melhores amigas que eu já tive que vai morar longe, a qual eu não tive nem chance ter um papo comum de amiga por causa da vigilância constante da namorada paranóica viciada em mentira que ela possui, mesmo tendo ficado 24 horas na casa dela.

Ah, e isso sem dormir direito por causa da vacina pra H1N1. Tô chocada como as pessoas tão tomando essa coisa. Depois não entendem pq tão morrendo lá no norte do país. Por acaso, os índios foram os primeiros a ser vacinados, né? Ah, sim.

Tô sem dinheiro. Tenho que pagar a fatura do cartão de crédito, passagem,material pra facul, xerox's infinitas, alimentação, conta de telefone, taxa de bombeiro, internet, luz, gás, o próximo aluguel e condomínio tão vindo aí e não tenho um emprego! Meu pai deu 300 conto e achou que tava salvando o mundo.

ALGUÉM ME SALVA DESSA VIDA DE ADULTO, POR FAVOR.

E olha que eu ainda não tô morando sozinha. Se bem que eu acho que teria mais paz. Teria essas preocupações, mas ninguém me cobraria nada além de máquinas e pessoas do telemarketing.

Tô tão frustrada com a minha vida que tô pensando em ligar praquelas coisas de "adote um amigo" e 0800-paredefumar.

Quero cigarro.
Quero dinheiro.
Quero minha namorada. É, aquela que não brigava comigo por qualquer coisa e nem ficava desconfiada a cada passo que eu dava.
Quero uma mãe compreensiva.
Quero um pai presente.
Quero menos pessoas irritantes na faculdade.
Quero xerox gratuita.
Quero que as pessoas PAREM DE COBRAR TAXA POR ATRASO DE ENTREGA DE LIVROS QUE NÃO ESTÃO RESERVADOS NA BIBLIOTECA.
Quero que parem de cobrar tanta informação a seu respeito, a não ser por cuidado.
Quero não sentir essas dores de cabeça horríveis que tenho sentido. As vezes é do lado esquerdo, as vezes do direito. Nunca dos dois lados ao mesmo tempo.
Quero chorar mais, pra depois não ter motivos pra chorar.
Quero celular de graça.
Mas também quero jogar meu celular pela janela.
Quero que todo mundo leia minhas baboseiras aqui.
Mas tenho certeza que ninguém quer/pode saber dessas coisas.

Ps:. Tô chorando que nem uma baleia Orca parindo um filhote de tiranossauro rex. Sério, o que tem de errado comigo?

Não posso mais faltar nenhuma aula esse semestre. ME MATEM.
não, melhor.

SE MATEM.

Besos e carícias, R.

segunda-feira, 8 de março de 2010

É!

De janeiro pra cá algumas coisas mudaram. E bastante.

Eu fiz a prova da UFRJ. Ainda não tinha ido pegar minha documentação no ex-emprego, então rolou confusão pra fazê-la. Me estressei e quebrei o celular na mão, e não tenho certeza se foi de propósito. da forma que eu estava possessa, penso que sim. Não passei pra fase seguinte. Com algumas esperanças, me inscrevi no ProUni e não dei muita trela pra isso, pensando que devia ter muita gente com notão e que ia ser difícil passar. Ok, algumas esperanças é mentira. Eu tava sem ligar pra nada, e não tava com esperança nenhuma,estava com um humor pior que o de costume.
Qual não foi minha surpresa quando vi no site que havia passado para todas as faculdades para as quais havia me inscrito e ainda por cima na maior parte delas em Primeiro lugar com Bolsa Integral! Minha primeira opção foi a Veiga de Almeida, e como eu havia sido aprovada na primeira opção, não dava pra ir pra outras (Se não teria tentado a PUC, fiquei em 4º na colocação geral pro curso proposto.) e lá fui eu na data correta entregar minha documentação. Corre daqui, corre dali e finalmente, no dia 26 de fevereiro de 2010 saiu o resultado: eu REALMENTE havia conseguido uma BOLSA INTEGRAL. Aí foi só orgulho pra mãe, pro pai, pra namorada.
E pra mim, claro. Entrei como um curso que eu não queria tanto fazer (na verdade, era mais pra não perder a bolsa e trocar de curso no semestre seguinte), só que pra esse curso não abriu turma e eu fui premiada pela sorte pela segunda vez, indo direto pro curso que eu queria fazer. Pois é. Estou fazendo Design Gráfico! E estou ADORANDO!
É incrível ser tratada como igual pelas pessoas, independente de qualquer coisa. Você não sentir a pressão que era sentida na época do ensino médio, de aceitação ou não. Só interagir e tentar ser você mesmo já é uma ótima fórmula pra conseguir se sentir bem em meio a pessoas que ainda não são conhecidas.
Foi o que eu falei pra mim. Todo mundo bem receptivo, mas eu ainda tenho um pouco de vergonha. Só não atinei ainda do que. Mas vai passar com o tempo. Hoje dois veteranos me chamaram pra ir ao cinema de segunda com eles. Hesitei um pouco. Mas depois que soube que era três reais, mudei de idéia. E aí foi um bonde relativamente grande. Nossa, o filme era "Virus". Ainda bem que custou tão pouco, senão pedia a grana de volta. Eu falo muito no cinema, e falei que só iria ver filme ruim se pudesse falar. Falei. Mas NADA nem ninguém superou a menina gordinha, estilosa e simpática que tava do meu lado. JESUS, ELA NÃO CONSEGUIA PARAR, ME SUPEROU.
Eu rio em cenas chocantes. Comemoro quando filme é ruim. E desafio veteranos. Desafio as pessoas que nem tão me desafiando. Acho que ando muito agressiva. Ou na defensiva. Tô sem limite com dinheiro. Dinheiro que nem tenho. Vou trabalhar meio período. Não sei onde exatamente, mas vou. Tenho que parar de pré-julgar as pessoas. O chato é que eu tenho aquele sentimento estranho quando vejo desconhecidos ou quando vejo conhecidos, mesmo. Tem uma menina que me irrita profundamente. Irrita pois tem o nome parecido com o meu, com um "s" a mais. E porque fisicamente parece com uma pessoa que também tem o mesmo nome que eu e que é bem legal. Só que eu me senti mal desde a primeira vez que a vi, mesmo sem ouvi qualquer coisa, saber qualquer coisa dela. Sabe mina nojenta? Espero que minha opinião mude.
Me surpreendi hoje com uma menina que sentou perto dela na (segunda) aula de metodologia visual (que tem um professor que não sabe a hora de parar de falar, apesar de ser muito bom, aparentemente. E ele é designer de produto - o que já me faz pagar pau pro cara, que era minha vontade no design em si). Ela parecia muito patricinha nojenta risonha de meio de aula. Que nada, trocando idéia mó legal na aula. Depois que ela abriu a boca, simpatizei com ela. É bom saber que eu erro de vez em quando e não me sinto mal com isso.

Preciso dormir pra acordar cedo amanhã. Sorte pra mim! Vou relatando coisas das aulas aqui, pra não deixar vazio de algo que lembre arte.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Véia Arte Arterial

Sendo Arte a primeira coisa criada pelos seres humanos (incluindo a época da rave nas cavernas, penso eu ser a arte coisa mais velha que a prostituição (que não deixa de ser um tipo de arte.).

Quando a gente é criança, a galera da nossa família fica falando pra gente não fazer ARTE.
PÔ, PERAÍ! E ainda por cima falam num tom de voz que faz com que a gente saiba que aquilo é algo errado, que pode ser categorizado como um "errado bonitinho". Pq você quebrar um dente caindo de uma árvore, fugindo de um cachorro, depois de roubar mangas é uma ARTE, e você afogar gatos em rios não é. Sacou a diferença?

É por isso que eu criei o blog. tô cansada de não fazer arte. de seguir sempre os mesmos padrões, ter os mesmos medos e preconceitos com o mundo e comigo mesma. acho que depois de 20 anos de exclusão e prisão interior, vale a pena imaginar um mundo melhor de verdade, e participar dele.

minha passagem de ano foi muito instável. O Creuzolino Oriental da terra da garoa veio me ver. muito fofo, de verdade. úm pouco travado, mas extremamente fofo. É interessante ver como a gente tem umas idéias que batem e tal. e também é interessante não ver essa semelhança em tudo, respeitar limites. sei lá, mó legal.
acho que a Ju ficou meio irritadiça, triste, sei lá. no início ela tava com uma cara de cu que tava me dando nervoso, sensação de impotencia. depois de ter chorado um pouco ela melhorou.
sei lá, eu gosto mas não gosto daquelas amigas dela. me senti muito mal, sei lá. sei que não teve nada a ver comigo, ams eu sempre acho que tem (talvez pelo meu ego avantajado), e fico com medo dela ter tido uma recaída. medo,medo. eu tenho que excluir esse sentimento de mim.

quando a gente saiu de lá da casa do Cesar as coisas melhoraram pra ela e pro Creuzolino parecem ter piorado, pq ele falou lá que tava mais confortavel na festa. anyway, depois o tempo foi passando, a gente já em ipanema, eu vendo que as pessoas bebadas nem sempre são agradáveis, sobriíssima.

acho que na hora dos fogos s[o eu que tava animada realmente. coisa boba. eu me amarro quando eles não parecem que vão me matar.

depois de ter chegado a manhã, interagimos mais nós 3, daí pareceu mais divertido. eu realmente gostei das interações entre nós 3 ou de observar as entre o C e a ju. eles são pessoas que me fazem bem. e pessoas que me fazem querer contar isso pra eles.

ele foi embora ontem a noite, e a gente decidiu entrar de cabeça num projeto conjunto de trabalho aí. espero que dê certo. espero que eu aprenda a me organizar pra dar tudo certo. a prova da ufrj tá martelando na minha cabeça, eu não estudei. eu preciso passar. eu tenho que lavar roupa. tenhoque pagar a aocnta de telefone, senão vão cortar essa merda pra ligar pras pessoas e eu vou ficar sem internet, sem internet= sem ter como trabalhar. eu não posso pedir grana pro meu pai até conseguir passar numa faculdade. de preferencia na ufrj logo, pra não demorar mais, senão só depois de abril. e eu não quero ficar sem vida até abril.

eu preciso me esforçar pra me organizar pra fazer as coisas certas, senão eu posso acabar me prejudicando realmente.

argh. preciso dum cigarro. se pá depois eu volto aqui pra desabafar mais as coisas do conjunto da véia arte arterial, que respira arte e espalha arte pelo corpo desde o inicio dos tempos \o/.


R.